Phnom Penh, capital do Cambodia, fica na confluência de três rios. O Mekong, que desce do Laos até o Cambodia antes de seguir até o Vietnam. O Bassac, que se separa do Mekong e flui para o sul. E o Tonle Sap, que se conecta ao Lago Tonle Sap, ao norte. Eu aluguei um pequeno apartamento de frente para o Tonle Sap, que tem um comportamento curioso: dependendo da época do ano, ele pode fluir em direção ao Mekong ou de volta para o lago.




O calor
Da última vez que estive no Sudeste Asiático, em 2024, fui embora no início de março. Desta vez, estou ficando mais tempo e começando a sentir o calor brutal que antecede a temporada das monções. E Phnom Penh não tem saída para o mar, o que piora a situação. A temperatura diurna costuma ficar entre 35ºC e 38ºC, mas a alta umidade faz com que a sensação térmica chegue facilmente a 40ºC. Caminhar na beira dos rios ao menos oferece uma brisa ocasional e reconfortante, mas em qualquer outro lugar há um calor úmido e opressivo que drena nossaa energias.
E os passeios?
Um dos principais motivos que me fizeram vir ao Cambodia foi visitar o Parque Arqueológico de Angkor. Quando o Império Khmer (802 a 1431 CE) dominava grande parte do Sudeste Asiático, Angkor era sua capital. Depois foi conquistada e abandonada. Hoje, abriga as ruínas de mais de mil templos e é um Patrimônio Mundial da UNESCO.
Eu não fiz aqueles passeios turísticos malucos que colocam você num carro por seis horas, dão três horas para ver "todos os templos", e depois mais seis horas de volta. Em vez disso, montei meu próprio roteiro de dois dias, que não é suficiente para ver tudo, mas pelo menos me permitiu seguir um ritmo melhor e visitar os locais mais importantes. Peguei um voo para Siem Reap (quarenta e cinco minutos), a cidade mais próxima dos sítios arqueológicos, e depois um carro até o hotel (uma hora) que eu havia reservado. De lá, aluguei um tuk-tuk para me levar a onze templos ao longo de dois dias.









Todo o Parque Arqueológico de Angkor é fascinante, não apenas pelos templos, mas também pela floresta e pelos animais (vi macacos e búfalos-d'água). É difícil dizer de qual templo gostei mais, pois cada um tem algo diferente dos outros. Foi uma experiência fisicamente exigente. Mesmo com o tuk-tuk me levando de templo em templo, teve muita caminhada e muitas escadas altas e irregulares para subir (meu smartphone indica que percorri mais de vinte quilômetros nessas duas incursões), tudo sob o calor úmido cambojano. Mas foi um grande passeio.

E a comida?
Amok trei (amok de peixe) é o prato nacional do Cambodia. O peixe é marinado em kroeung verde (uma pasta feita com capim-limão, canela, gengibre, e curcuma), leite de coco, e ovos, depois colocado num recipiente feito de folhas de bananeira e cozido no vapor. Muito saboroso.
Outros pratos típicos cambojanos que experimentei (sempre evitando os apimentados) foram o beef lok lak (cubos de carne bovina marinados e refogados, servidos com tomate e pepino, às vezes com um ovo frito também) e o cha khnhei sach moan (frango refogado com gengibre, feito com gengibre fresco, muito alho, e molho de ostras). Também comi comida chinesa (muito comum em Phnom Penh) e japonesa (não tão fácil de encontrar por aqui).
O melhor prato que comi no Cambodia foi frango refogado com castanha de caju (frango, pimentão vermelho, pimentão verde, cenoura, cebola, aipo, castanha de caju, servido com arroz jasmim no vapor), enquanto eu estava em Siem Reap. A região produz muita castanha de caju, e eu cheguei a ver, da estrada, plantações cheias de frutos vermelhos.
Acho que sou um bocado aventureiro em termo de comida, mas no Cambodia encontrei dois pratos que não tive vontade alguma de experimentar. Um foi perna de tarântula frita e crocante. O outro foi um sapo inteiro, grelhado no espeto e recheado com carne de porco moída. Eu me perguntei por que comeria aquilo, e não encontrei uma boa razão. Não, obrigado.



E depois de Phnom Penh?
Minha próxima parada é Vientiane, capital do Laos. Mas essa é uma história para outra hora. La gon! (É assim que se diz "tchau" no Laos, significa "fique bem".)

