Depois de três meses muito ativos no Japão, seguidos de dez dias agitados em Hong Kong e Macau, meu plano para as Filipinas era desacelerar e relaxar. E foi exatamente isso que fiz. O clima também contribuiu para minha decisão de ficar em casa a maior parte do tempo, já que choveu em cerca de três das quatro semanas que estive em Manila.
A Cidade de Manila é a capital das Filipinas. No entanto, ela é cercada por outras quinze grandes cidades, todas conectadas numa única megalópole. Portanto, quando as pessoas dizem “Manila”, geralmente não estão se referindo à cidade propriamente dita, mas sim à Grande Manila, esse monstro urbano de quatorze milhões de pessoas. Aluguei um apartamento numa dessas cidades, Makati, conhecida por seus arranha-céus (138 prédios com mais de 100 m de altura) e shopping centers sofisticados.
Meu apartamento no 9º andar tem uma pequena varanda com vista para um parque cheio de árvores. Há um grande shopping center a poucas quadras de distância, com boa variedade de restaurantes. Esta área é, na verdade, um oásis de civilização na Grande Manila, porque a maioria dos outros lugares que visitei na região parecem inabitáveis. Casas e prédios caindo aos pedaços, calçadas esburacadas cheias de vendedores ambulantes, e ruas sujas com um trânsito insano.


O inglês filipino tem algumas expressões únicas. Para pedir a conta num restaurante nos EUA você diria “check, please”, no Reino Unido “the bill, please”, mas aqui se diz “bill out, please”. Além disso, aqui você não “liga” ou “desliga” a luz, mas sim “abre” ou “fecha” a luz.
Visitei alguns bons museus. O Museu Ayala, localizado dentro do shopping center Greenbelt, foi provavelmente o melhor, com várias exposições permanentes interessantes. Gold of the Ancestors mostra tesouros pré-coloniais das Filipinas (tinha mais objetos de ouro do que todo o Museo del Oro na Costa Rica). Tem também exposições de cerâmica e tecidos, além de obras de Fernando Amorsolo (pintor de retratos e paisagens, conhecido como o “Velho Mestre da Arte Filipina”) e Fernando Zóbel (um pintor abstrato filipino). Mas a estrela do museu é The Diorama Experience of Philippine History, que narra a história do país em sessenta dioramas muito bem feitos. Também fui ao Museu Nacional de Belas Artes (ótima arte filipina, incluindo obras de Botong Francisco, Nunelucio Alvarado, Vicente Silva Manansala e, claro, Fernando Amorsolo), ao Museu Nacional de Antropologia (onde aprendi sobre a história e a geografia das Filipinas) e ao Museu Yuchengco (com exposições sobre fotografia e sapatos sofisticados – sim, sapatos).






E a comida?
O prato nacional das Filipinas parece ser o adobo. Não é exatamente um prato, mas um método de preparo. A carne, geralmente porco ou frango, é parcialmente frita em óleo e depois marinada numa mistura de vinagre, molho de soja, e alho antes de terminar o cozimento. Muito saboroso.
Pratos espanhóis também são típicos por aqui, em suas versões locais. Provei uma deliciosa paella campera, com o frango grelhado separado do arroz e dos frutos do mar, e depois misturado com alioli. Não tão boa quanto a paella espanhola original, mas ainda assim bem interessante.
Restaurantes japoneses e chineses estão por toda parte em Manila, e comi minha cota de salmão teriyaki e arroz frito com camarão. Churrasco ao estilo americano também é comum por aqui, muitas vezes servido com molho java (uma mistura de pasta de amendoim, molho de soja, e açúcar de cana). Outro molho filipino popular é o ketchup de banana, que é tingido de vermelho e não tem gosto nenhum de banana.


E os passeios?
Fui a Tagaytay, cerca de 70 km ao sul de Manila. Quando Ronald Reagan estava programado para visitar as Filipinas no início dos anos 1980, o ditador Ferdinand Marcos decidiu construir uma mansão no Monte Sungay apenas para recebê-lo. A visita foi cancelada e a construção simplesmente abandonada. Hoje é apenas uma estrutura decadente, renomeada de Palace in the Sky para People’s Park in the Sky. A mansão inacabada não tem interesse, mas a vista do topo vale a pena. De uma altura de mais de 700 m, é possível ver (quando as nuvens permitem) o Lago Taal e a Volcano Island em seu centro.

E depois de Manila?
Neste fim-de-semana sigo para Sydney, na Austrália, onde ficarei por um mês. Mas essa é uma história para outra hora. Cheers, mate!
