034Agosto 2025 · Ásia

Três meses no Japão, parte três: ao redor de Tokyo

Três meses no Japão, parte três: ao redor de Tokyo

Enquanto morei em Tokyo, fiz uns pequenos passeios fora da cidade.

Yokohama

Passei um dia em Yokohama, a segunda maior cidade do Japão, a meia hora de trem ao sul de Tokyo. Foi um dos portos abertos ao comércio com o ocidente quando o Japão terminou sua política de isolacionismo em 1859. É também o lugar onde o Tom Cruise desembarca no Japão em The Last Samurai.

Minha primeira parada foi no Yokohama Museum of Art. Muitos artistas ocidentais famosos nas paredes, como Robert Capa, Man Ray, Max Ernst, Joan Miró, Pablo Picasso, Aleksandr Rodchenko, e vários outros. Eles também têm umas tantas esculturas do Isamu Noguchi (que, apesar do nome, nâo é japonês mas estadunidense, tendo nascido em Los Angeles). O destaque para mim foi o tríptico enorme (cada quadro tem cerca de 2,50 metros por 2,25 metros) que o Salvador Dalí fez inspirado pela Helena Rubinstein. Como se não bastasse, na mesma sala ainda tinha um Magritte, The Museum of the King.

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Depois visitei o Nippon Maru, um navio a vela construído em 1930 que agora é um museu, e subi ao 69° andar da Yokohama Landmark Tower para contemplar a bela vista da baía de Yokohama. Em teoria, pode-se ver de lá o Monte Fuji se o dia estiver limpo, mas só vi nuvens e neblina naquele dia.

Sankei-en é um jardim em tradicional estilo japonês construído em 1906 para reunir prédios históricos trazidos de diferentes partes do Japão. Particularmente impressionantes são o Rinshunkaku, um conjunto construído em 1649 para a o filho do primeiro shogun Tokugawa, e o pagode de três andares erigido em 1457 que fazia parte do templo Tōmyō-ji em Kyoto.

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Para fechar a visita, fui ao Shin-Yokohama Ramen Museum. No andar subterrâneo, eles fizeram um réplica em tamanho real de partes de Tokyo em 1958, o ano em que foi inventado o ramen instantâneo. E você pode comer ali mesmo em alguns pequenos restaurantes em estilo antigo.
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Hakone

Passei três dias em Hakone, uma cidadezinha (cerca de dez mil habitantes) nas montanhas ao sudoeste de Tokyo. Me hospedei num ryokan (hotel japonês em estilo tradicional) com chão de tatame e portas de correr, e vesti yukata (kimono de verão) e dormi num futon no chão (cama tradicional japonesa).

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Hakone desperta o interesse desde o período Edo (1603-1868), atraindo os ricos e poderosos às suas águas termais. Na era Meiji (1868-1912), transportes melhores e campanhas do governo promovendo turismo interno abriram a cidade para a classe média. Com a construção da ferrovia Hakone Tozan em 1919, Hakone se solidificou como destino de férias. Depois da Segunda Grande Guerra, especialmente a partir dos anos sessenta, Hakone se transformou também em núcleo cultural, com museus como o Hakone Open-Air Museum (desde 1969) e o Pola Museum of Art (desde 2002).
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O Hakone Museum of Art especializa-se em cerâmica, mas a melhor parte é o jardim japonês ao lado, o Shinsenkyo. O Hakone Museum of Photography é minúsculo, mas tinha boas fotos do Monte Fuji. A atração principal é, claro, o Hakone Open-Air Museum, um enorme jardim de esculturas com trabalhos extraordinários de todo o mundo. Rodin, Bourdelle, Maillol, Léger, Hepworth, Milles (é o único lugar além do Millesgarden em Stockholm onde vi esculturas do Carl Milles, e eles têm duas delas), e um monte de esculturas do Henry Moore (contei mais de vinte). Espetacular. Também tem uma coleção em espaço fechado (com Boccioni, Giacometti, Modigliani, Brancusi, e outros), uma galeria de exposições temporárias (quando visitei estavam mostrando as figuras divertidas do Tetsuya Noguchi, que mistura samurais e objetos contemporâneos), e a Pablo Picasso Collection (um pavilhão com suas pinturas, gravuras, esculturas, cerâmica e tapeçaria).
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O outro grande museu de Hakone é o Pola Museum of Art, construído como um templo à arte no meio da floresta (você tem que ir numa van até o museu, que fica no alto da montanha). A exposição que vi foi A Renewal of Passion: The Impact of Van Gogh. Eles tinham alguns dos seus quadros, claro, mas também trabalhos do Cézanne, Monet, Gauguin, Seurat, Matisse, e vários artistas japoneses influnciados fortemente pelo Van Gogh.
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Hakone tem um intrincado sistema de transporte, porque fica nas montanhas cercada por florestas. No dia que fui ao Lago Ashi, saí do hotel, peguei o teleférico, aí peguei um ônibus, e depois outro ônibus para chegar lá. Na volta, cruzei o lago num navio, aí peguei o Hakone Ropeway (um bondinho suspenso por cabo), e outro teleférico para chegar ao hotel.

Do Lago Ashi, deveria haver uma boa vista do Monte Fuji. Hokusai e Hiroshige fizeram gravuras famosas de lá. Mas eu só vi nuvens. O Monte Fuji parece tímido e elusivo nesta época do ano.

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Monte Fuji

Sem desanimar depois das minhas tentativas frustradas de ver o Monte Fuji, fui num passeio pela Yamanashi Prefecture. Yokohama fica a leste do Monte Fuji e Hakone ao sudeste, então desta vez fui para a área ao nordeste.

Primeiro, visitei Fujiyoshida, onde fica o Arakurayama Sengen Park com seus 398 degraus até o pagode no topo (sim, subi cada um daqueles degraus). Fica tão perto que o Monte Fuji não pode se esconder completamente atrás das nuvens, mas o pico se mantém oculto a maior parte do tempo. O único vislumbre que tive do cume, rapidamente, foi de uma esquina movimentada em Fujiyoshida.

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Depois fui a Fujikawaguchiko, onde fica o Oishi Park. De lá, pude ver o Monte Fuji do outro lado do Lago Kawaguchi. Mesmo com o pico ainda coberto de nuvens, a vista é assombrosa.
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Por fim, fui a Oshino Hakkai (Oito Mares de Oshino), que tem oito laguinhos com água que vem do Monte Fuji. É basicamente uma armadilha para turistas, cheia de lojinhas vendendo cacarecos. Não se vê o Monte Fuji de lá, mas ao menos eu bebi o refrescante momo matcha (chá matcha com pêssego, servido gelado), especialidade local.

Depois de Tokyo

Deixei Tokyo desejando poder ficar mais um ano. Mas antes de sair do Japão, há mais para ver. Uma semana em Osaka, outra em Kyoto, e mais uma em Nagoya. Essa parte da história eu vou contar no próximo episódio do emocionante seriado Três Meses no Japão.

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