A Nova Zelândia é possivelmente o país mais isolado do mundo. Seus vizinhos mais próximos (Austrália, New Caledonia, Fiji, e Tonga) ficam a cerca de 2.000 km de distância. E são aproximadamente 9.500 km até a América do Sul, 12.000 km até a América do Norte, 12.000 km até a África e 18.000 km até a Europa.
Wellington é também a capital mais ao sul do planeta, a 41,29° S. E é, sem dúvida, o lugar mais ventoso em que já estive. Ventos frequentes, com rajadas fortes o bastante para mudar o rumo da caminhada.








Terremoto!
Sim, na minha segunda noite em Wellington houve um terremoto de magnitude 4,7. Tudo balançou, mas sem maiores consequências. Agora já passei por terremotos em quatro continentes: Lisboa no início dos anos 1990, Washington DC em 2011, e Japão e New Zealand este ano.
E a comida?
O fish and chips aqui é muito melhor do que em Sydney, possivelmente porque usam kingfish, uma espécie grande e abundante em New Zealand. Também comi grelhado e em ika mata (peixe cru marinado em suco de limão com leite de coco). Mas a estrela absoluta é o pernil de cordeiro, assado até a carne ficar tão macia que se desprende do osso. Absolutamente delicioso.
Também comi beef wellington, só para poder dizer que comi beef wellington em Wellington. Na verdade, não há uma conexão forte entre os dois. A cidade recebeu o nome do primeiro duque de Wellington, o general vitorioso na Batalha de Waterloo em 1815. O prato é, na verdade, uma invenção francesa, filet de boeuf en croûte (filé de vaca em massa folhada), e foi rebatizado na Inglaterra, possivelmente como uma provocação ao país derrotado em Waterloo. De qualquer forma, é saboroso: filé-mignon envolto em massa e creme de cogumelos.
E conheci o kiwi dourado (golden kiwifruit). Nunca fui muito entusiasmado com kiwis (a fruta, não o animal), mas essa variação (um cultivar desenvolvido aqui nos anos 1990) é excelente. A casca é menos peluda, e a polpa é amarela, mais firme e mais doce que a do kiwi original, com um leve sabor de pêssego.
Felizmente, embora a comida seja cara aqui, os vinhos são muito bons e têm preços acessíveis. Bebi bons pinot noir e shiraz, os melhores vindos de Hawke’s Bay (ao nordeste de Wellington).
Se você gosta de café, aqui há o flat white: um duplo expresso com leite vaporizado. Não é um latte, porque tem muito mais café. Não é um cappuccino, porque não tem toda aquela espuma por cima. É bem gostoso.




E os passeios?
Fui um pouco ao nordeste de Wellington para ver mais locações de The Lord of the Rings. Perto de um lugar chamado Upper Hutt, o rio Hutt (em maori, Te Awa Kairangi) foi usado como o mítico rio Anduin, que a Fellowship of the Ring atravessa em canoas. O Harcourt Park, nas proximidades, foi o cenário dos jardins de Isengard, a fortaleza do Saruman, mas é difícil reconhecer algo, já que a equipe de filmagem precisou deixar tudo como encontrou, revertendo qualquer alteração feita para as filmagens. O mesmo vale para o Kaitoke Regional Park, onde construíram Rivendell. Todas as construções sumiram, exceto o portão por onde a Fellowship parte rumo a Mordor. Mas as árvores continuam lá, o parque é belíssimo, e algumas paisagens ainda são identificáveis.


E depois de Wellington?
Amanhã vou para o norte do país, para ficar em Auckland, a maior cidade de New Zealand. Conto sobre isso na próxima vez. Kia ora! (É o que dizem aqui ao chegar ou partir, significa algo como “fique bem” ou “boa saúde”).

