041Janeiro 2026 · Oceania

Duas semanas no Tahiti

Duas semanas no Tahiti
Papeete, vista do Belvédère du Tahara'a

A Polinésia Francesa é um país, mas também faz parte da França. É um arquipélago de 120 ilhas no Oceano Pacífico Sul. O Tahiti é a maior ilha, onde vive quase setenta por cento da população. Passei duas semanas lá, em Papeete, a capital. Não há muitas atrações na cidade, mas ela abriga o único aeroporto internacional da região e é um bom ponto de partida para explorar outras áreas.
Visitei o Mercado de Papeete (colorido), a Prefeitura de Papeete e a Assembléia da Polinésia Francesa (interessantes), a Catedral de Notre Dame (pouco impressionante), e o Museu das Pérolas Robert Wan (pequeno).
Frutas no Mercado de Papeete
Frutas no Mercado de Papeete
Quando fiquei sem coisas para ver em Papeete, aluguei uma bicicleta e pedalei até a Pointe Vénus. São 12 km em cada sentido, com uma subida íngreme no meio do caminho. Foi doloroso, mas valeu a pena.

Pointe Vénus é uma pequena península com uma praia de areia preta. James Cook parou ali para observações astronômicas durante sua primeira viagem, em 1769, dando nome ao lugar. Em 1788, o HMS Bounty atracou ali, na viagem famosamente retratada nos filmes Mutiny on the Bounty (1935 com Clark Gable, 1962 com Marlon Brando, 1984 com Mel Gibson). Há também um farol, construído em 1867. Ele foi projetado pelo pai do Robert Louis Stevenson, que mais tarde visitaria o local com sua mãe.

Pointe Vénus
Pointe Vénus
Farol de Pointe Vénus
Farol de Pointe Vénus
No caminho para Pointe Vénus, parei na Casa e Museu James Norman Hall (ele é o autor do romance original Mutiny on the Bounty) e no Belvédère du Tahara'a (que oferece uma boa vista de Papeete).

Viajando no tempo


Mover-se de New Zealand para o Tahiti tem um efeito estranho por causa da peculiaridade dos fusos horários. Estou acostumado a perder ou ganhar algumas horas quando viajo, mas aqui a sensação é digna da Twilight Zone. Acordei em Auckland numa sexta-feira, segui meu dia normalmente, peguei o voo à noite, cheguei a Papeete um pouco depois da meia-noite e fui dormir. Quando acordei no dia seguinte, era sexta-feira de novo. Como atravessei a chamada Linha Internacional de Data, fui literalmente enviado de volta no tempo.

Para referência, London está no Tempo Universal Coordenado (UTC) zero. New Zealand, bem distante, está em UTC +12. Se você continuar indo para leste, chega ao UTC +13 (Tonga e Tokelau, por exemplo), mas se avançar um pouco mais, cruza a Linha Internacional de Data e chega ao UTC -10, que é onde está a Polinésia Francesa. Então, tecnicamente, ganhei um dia extra. Mas vou perdê-lo novamente quando viajar de volta para oeste.

E a comida?


Há mais comida francesa aqui do que eu esperava. Comi cassoulet, boeuf bourguignon, petit salé aux lentilles, e alguns outros pratos gauleses. Até o pão é tão bom quanto as baguetes que se compra no Quartier Latin, em Paris.

Mas há também os pratos locais. O que mais comi foi i'a ota, também chamado de poisson cru, que é atum cru marinado em suco de limão e depois misturado com leite de coco, pepino, tomate, cenoura, e cebola. Muito bom. É basicamente o mesmo prato que comi em New Zealand, chamado ika mata em Tuvalu, kokoda em Fiji, e oka i'a em Samoa.

Também bebi o ponche taitiano, a bebida nacional: rum branco, suco de laranja, suco de abacaxi, suco de limão, baunilha, e canela. Especialmente bom quando se está em alto mar.

Preparando i'a ota
Preparando i'a ota
Poke bowl em Ponte Vénus
Poke bowl em Ponte Vénus

E os passeios?


Só velejar pelos Mares do Sul em um catamarã já é, por si só, uma experiência irresistível. São estas as águas navegadas por Herman Melville, Robert Louis Stevenson, Somerset Maugham, e Jack London, todos inspirados pelo mar azul sem fim e pelas tradições dos povos polinésios.
Arco-íris no Pacífico Sul
Arco-íris no Pacífico Sul
Passei um dia em Tetiaroa, um atol a 50 km ao norte do Tahiti. É um conjunto de doze ilhotas (chamadas motus na língua local), a maioria delas áreas protegidas para várias espécies de aves e tartarugas. Também vi pequenos tubarões nas águas rasas e caranguejos-eremitas na areia. É preciso caminhar pela água bem quente ao redor das ilhotas para não perturbar os animais. Tetiaroa já foi um local neutro para encontros entre chefes taitianos. Em 1904, foi vendida a um empresário canadense que iniciou uma plantação de cocos ali. Depois, nos anos 1960, depois de filmar Mutiny on the Bounty no Tahiti, Marlon Brando conseguiu um arrendamento de 99 anos sobre Tetiaroa. Ele de fato viveu ali com sua esposa taitiana (e colega de elenco no filme), Tarita, e sua casa hoje é um resort de luxo privado na única ilhota habitada. Tetiaroa é um dos lugares mais bonitos que já vi.
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E depois do Tahiti?


Do Tahiti para Bali, para uma semaninha relaxante antes de me mudar para o Vietnam. Mas esta é uma história para outra hora.
Pointe Vénus
Pointe Vénus
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