A Polinésia Francesa é um país, mas também faz parte da França. É um arquipélago de 120 ilhas no Oceano Pacífico Sul. O Tahiti é a maior ilha, onde vive quase setenta por cento da população. Passei duas semanas lá, em Papeete, a capital. Não há muitas atrações na cidade, mas ela abriga o único aeroporto internacional da região e é um bom ponto de partida para explorar outras áreas.

Pointe Vénus é uma pequena península com uma praia de areia preta. James Cook parou ali para observações astronômicas durante sua primeira viagem, em 1769, dando nome ao lugar. Em 1788, o HMS Bounty atracou ali, na viagem famosamente retratada nos filmes Mutiny on the Bounty (1935 com Clark Gable, 1962 com Marlon Brando, 1984 com Mel Gibson). Há também um farol, construído em 1867. Ele foi projetado pelo pai do Robert Louis Stevenson, que mais tarde visitaria o local com sua mãe.


Viajando no tempo
Mover-se de New Zealand para o Tahiti tem um efeito estranho por causa da peculiaridade dos fusos horários. Estou acostumado a perder ou ganhar algumas horas quando viajo, mas aqui a sensação é digna da Twilight Zone. Acordei em Auckland numa sexta-feira, segui meu dia normalmente, peguei o voo à noite, cheguei a Papeete um pouco depois da meia-noite e fui dormir. Quando acordei no dia seguinte, era sexta-feira de novo. Como atravessei a chamada Linha Internacional de Data, fui literalmente enviado de volta no tempo.
Para referência, London está no Tempo Universal Coordenado (UTC) zero. New Zealand, bem distante, está em UTC +12. Se você continuar indo para leste, chega ao UTC +13 (Tonga e Tokelau, por exemplo), mas se avançar um pouco mais, cruza a Linha Internacional de Data e chega ao UTC -10, que é onde está a Polinésia Francesa. Então, tecnicamente, ganhei um dia extra. Mas vou perdê-lo novamente quando viajar de volta para oeste.
E a comida?
Há mais comida francesa aqui do que eu esperava. Comi cassoulet, boeuf bourguignon, petit salé aux lentilles, e alguns outros pratos gauleses. Até o pão é tão bom quanto as baguetes que se compra no Quartier Latin, em Paris.
Mas há também os pratos locais. O que mais comi foi i'a ota, também chamado de poisson cru, que é atum cru marinado em suco de limão e depois misturado com leite de coco, pepino, tomate, cenoura, e cebola. Muito bom. É basicamente o mesmo prato que comi em New Zealand, chamado ika mata em Tuvalu, kokoda em Fiji, e oka i'a em Samoa.
Também bebi o ponche taitiano, a bebida nacional: rum branco, suco de laranja, suco de abacaxi, suco de limão, baunilha, e canela. Especialmente bom quando se está em alto mar.


E os passeios?
Só velejar pelos Mares do Sul em um catamarã já é, por si só, uma experiência irresistível. São estas as águas navegadas por Herman Melville, Robert Louis Stevenson, Somerset Maugham, e Jack London, todos inspirados pelo mar azul sem fim e pelas tradições dos povos polinésios.




E depois do Tahiti?
Do Tahiti para Bali, para uma semaninha relaxante antes de me mudar para o Vietnam. Mas esta é uma história para outra hora.

