021Julho 2024 · Europa

Um mês em Sarajevo

Um mês em Sarajevo

Minha passagem pela Bósnia e Herzegovina foi planejada como um período de descanso, depois da montanha-russa de máquinas pifadas e contas bancárias bloqueadas, e depois do redemoinho de opções culturais na Catalunha. Sarajevo é uma cidade calma. Aluguei um apartamento bacaninha no bairro chamado Bistrik. Do outro lado do rio Miljacka, que fica a duas quadras do meu prédio, é a parte antiga da cidade, cheia de mesquitas, pequenos restaurantes, lojinhas, e, claro, turistas. Onde eu moro não há turistas, provavelmente porque eles não querem subir a ladeira.

O clima aqui é complicado. No meio do verão, não me surpreendi com os 33°C por volta do meio-dia. O que eu não estava esperando foi a queda para 13°C logo que o sol baixou, com um ventinho tinhoso vindo das montanhas. Tem sido assim quase todo o tempo, alguns dias chegando perto dos 40°C, mas vez por outra vem aquela abrupta queda de temperatura e é preciso estar preparado. Eu não estava, e fiquei doente logo na primeira semana. Uma tosse insistente que durou quase o mês inteiro e me fez ficar em casa por vários dias me recuperando. Então, eu queria descansar, e acabei descansando mais que esperava.

Ponte Sehercehaja
Ponte Sehercehaja
Vijećnica (Prefeitura)
Vijećnica (Prefeitura)
Visitei os museus locais, claro. O National Museum of Bosnia and Herzegovina tem uma coleção de artefatos históricos que vai do Paleolítico ao Império Romano, e também um pavilhão cheio de animais embalsamados. A National Gallery of Bosnia and Herzegovina é o museu de arte local, onde a estrela parece ser o  artista bósnio Karlo Mijić, em atividade principalmente na primeira metade do século 20.

Os outros museus são todos sobre guerra. O Sarajevo Museum 1878–1918 fica no edifício em frente ao local onde o Arquiduque Franz Ferdinand da Áustria foi assassinado, criando a desculpa para o início da Primeira Grande Guerra. O museu é sobre esse episódio, mas é só uma sala (e nem mesmo uma sala grande) com alguns objetos relacionados. O History Museum of Bosnia and Herzegovina tem algumas exposições sobre o Cerco de Sarajevo (1992 a 1996). O Museum of Crimes Against Humanity and Genocide, o War Childhood Museum, e a Galerija 11/07/95 são também sobre a Guerra da Bósnia. E nem é preciso ir a um museu para ver sinais dessa guerra. Uma das coisas mais tristes por aqui são as Rosas de Sarajevo, locais onde um morteiro explodiu e matou gente, agora preenchidos com resina vermelha para marcar o acontecimento.

Rosa de Sarajevo
Rosa de Sarajevo
Quadro do Karlo Mijić
Quadro do Karlo Mijić

E a comida?


Fiquei um pouco decepcionado com a comida aqui. É basicamente a mesma cozinha de outros países da ex-Yugoslavia, mas com muito menos variedade. Temos o ćevapi (canudos de carne moída grelhada), servido com kajmak (queijo branco cremoso) e cebolas picadas, que é muito bom mas não uma coisa para comer todos os dias. Temos a salada shopska (que na verdade é da Bulgaria mas muito popular por aqui). E é isto que a maior parte dos restaurantes oferece como pratos locais. A opção é o que eles chamam de cozinha internacional: pasta, pizza, burgers, etc. Disseram-me que no inverno os restaurantes servem outras coisas, principalmente ensopados, mas no verão é só o básico.
Ćevapi
Ćevapi

E os passeios?


Visitei Mostar, que parece linda nas fotos mas quando você chega lá não é bem assim. Mais um lugar destruído pelo turismo em massa, sobrecarregado de gente fazendo selfies e lojinhas vendendo bolsas falsas da Louis Vuitton e camisetas da Frida Kahlo (ela era mexicana, por que eu iria até a Bósnia para botar a cara dela na minha camisa?). Ainda podemos ver a ponte magnífica que Mostar tinha (agora é uma réplica, a original foi bombardeada pelos croatas durante a guerra), mas o lugar agora é uma armadilha para turistas. A melhor coisa que fiz em Mostar foi comer umas trutas do rio Neretva no almoço, estavam deliciosas.
Mostar
Mostar
Trutas do Rio Neretva
Trutas do Rio Neretva
No caminho de ida e de volta, parei em alguns outros lugares. Konjic tinha uma ponte interessante. Blagaj é onde construíram um monastério na nascente do rio Buna. Počitelj tem uma fortaleza começada no século 15 e, se você não tem sapatos confiáveis, subir aqueles degraus traiçoeiros pode ser a última coisa que vai fazer. Jablanica tem um lago artificial imenso criado nos anos 50 para ativar uma usina hidroelétrica.
Blagaj
Blagaj
Počitelj
Počitelj
Jablanica
Jablanica

E agora?

Na próxima semana vou para Tirana, capital da Albânia. Mas esta é uma história para outra hora. Gëzuar! (Isto é "Saúde!" em albanês.)

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